Festa do Divino

Uma de nossas principais celebrações é a Festa do Divino Espírito Santo. Nos meses de maio e junho, é hora de se festejar a colheita e a sua abundância, com essa que é a grande festa da fartura.

Tudo começa na escolha da pessoa que será responsável durante todo o ano pelos preparativos, chamado de Imperador do Divino, e seu grupo de ajudantes, as Folias, é formado por seis a dez crianças vestidas em traje de época com coroas e ceptros que representam os imperadores e mordomos. É um ritual do catolicismo popular que se misturou com as religiões afro brasileiras.

Antigamente, a festa começava quando as Folias saíam para pedir doações. No dia principal, o Imperador e o cortejo saiam em procissão. Levavam grandes varas enfeitadas, formando um quadrado, que os separava das outras pessoas na procissão. Era esse o Império do Divino, representando um espaço sagrado e de realeza, para tornar visível aos olhos de todos a grandeza de Deus e o poder do Espírito Santo.

Hoje em dia, para nós Kalungas, não existe uma festa especial para o Divino Espírito Santo. Mas existe a tradição de celebrar o Divino Pai Eterno, que acabou por se fundir com o Divino Espírito Santo.

Para lembrar o Espírito Santo que abençoa a fartura, a Folia sai em sua honra, no Vão do Moleque e no Vão de Almas. E, ali, é o próprio Império do Divino que mais tarde irá sair em procissão, antes do Império de Nossa Senhora d’Abadia, na grande festa de 15 de agosto.

A Festa do Divino celebrada hoje em nossas comunidades tem várias etapas: abertura da tribuna, levantamento do mastro, visita dos impérios, missa, cerimônia dos impérios, derrubamento do mastro, passagem das posses reais, fecho das tribunas e carimbo das caixeiras.

Congada

É comemorada no dia 13 de outubro, chamada também de Nossa Senhora do Rosário, e é festejada na comunidade do Tinguizal. Todo ano preparamos uma linda procissão que mistura um pouco das tradições tribais de Angola e do Congo, e influências que absorvemos da igreja.

É uma das festas mais animadas, cheia de danças, cantos e muita música. Fazemos também uma procissão, onde acontece a cerimônia de coroação do Rei Congo e da Rainha Ginga de Angola – uma personagem da história africana, a Rainha Njinga Nbandi, do século 17.

Folia de Reis – Vão das Almas

Fazemos essa festa em louvor aos Santos Reis, e comemoramos no dia seis de janeiro. A Igreja Católica celebra o encontro dos Reis Magos com o menino Jesus recém nascido.

Nosso povo comemora a folia de Reis à noite. O ‘Santo Reis’ era um santo que andava pelado e tinha vergonha de girar de dia, por isso até hoje a folia em sua homenagem deve acontecer à noite. As letras dos cantos variam de acordo com o padroeiro da folia, a temática das letras menciona o nome do santo, fala sobre elementos que fazem alguma referência a ele. As bandeiras também levam a imagem do santo, variando de acordo com o santo a cor da bandeira, e as figuras que devem estar contidas nela.

A folia de Reis sai todos os dias depois do pôr do sol e vai passando de casa em casa até chegar no pouso, ao amanhecer. Chegando no pouso, depois da cantoria, os foliões vão desarrear os cavalos, descansar, acordam para almoçar e descansam mais um pouco depois do almoço. No final da tarde os foliões se juntam para cantar os Benditos e partir novamente para mais uma noite de giro.

A chegada da Folia de Reis é um ritual a parte. Quando ela está prestes a chegar nas casas, todos fazem silêncio para que o dono da casa não acorde. Assim que a folia se aproxima da casa, eles começam a cantar e falam na cantoria: “Abra a porta e cenda a luz!”. A luz é acesa e a porta é aberta, depois que terminam de cantar o canto, o dono da casa diz: “Vamo chegá, folião!”

Império de Nossa Senhora d’Abadia

Essa festa acontece na comunidade do Vão de Almas nos dias 15 a 23 de agosto. A celebração de Nossa Senhora d’Abadia é uma grande festa. A própria Folia já é uma festa e, no caso do Vão de Almas, ela emenda com a festa maior da Senhora d’Abadia. É nesse período, de agosto a outubro, que está começando o plantio dos roçados. Então, pedimos à Mãe de Deus que torne a terra fértil para produzir os alimentos que precisamos.

A Romaria de Nossa Senhora Aparecida

A Romaria de Nossa Senhora Aparecida acontece no último dia de uma novena que nosso povo Kalunga faz todo anos no mês de maio. É uma grande festa com, além da novena, giro da folia e o império (ou reinado). A novena é rezada na capela e a cada dia há um noveneiro responsável, que faz a reza e oferece um lanche a quem estiver participando. Em frente à capela, dançamos o forró nas noites da festa e serviram o banquete do reinado.

Nesses dias de festa, dançamos o forró e a sussa. O forró ocupa um espaço central na romaria. Todas as noites, após as festividades sagradas, nós vamos para o rancho, espaço destinado à dança do forró.

Na festa de Nossa Senhora Aparecida tem ainda a folia do Cipó. Fazemos um pequeno giro da folia entre as casas e convidamos todos para a festa. Tem também uma pequena procissão em que todos nós fazemos um cortejo com a bandeira de Nossa Senhora Aparecida. Cada um leva em sua mão uma candeia, que é feita de cera de abelha, também tem o objetivo de anunciar o início da festa.