Kalungas interessam a pesquisadores

O Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga possui, atualmente, três pesquisadores realizando trabalhos simultâneos e diversificados em seu território. Todos os pesquisadores, ligados a alguma universidade, estão realizando trabalhos de conclusão de curso ou monografias de teses de mestrado ou doutorado em áreas diferentes.

O interesse pelo Território Kalunga e pelo povo quilombola tem crescido acentuadamente desde que a Presidência da República reconheceu a territorialidade dos remanescentes de escravos e a dívida cultural que o povo brasileiro tem com essa parcela da população. Desde 2009, muitos são os estudos sobre os modos de vida dos Kalungas, o uso da terra, seus costumes, hábitos e os reflexos físicos e comportamentais deste povo que vive afastado dos grandes centros há centenas de anos.

Somente no mês de maio de 2012, três pesquisadores solicitaram Termo de Consentimento para Pesquisas em Território Kalunga ao Presidente da Associação Quilombo Kalunga (AQK), Sr. Sirilo dos Santos Rosa.

De entrevistas a coleta de unhas

No dia 10 de maio, o pesquisador Gilberto Paulino, aluno de doutorado no Departamento de Lingüística, Português e Línguas Clásssicas, do Programa de pós-graduação em Lingüística da Universidade de Brasília, obteve autorização para realizar a pesquisa “O conhecimento Etnobotânico dos Kalungas: uma relação entre língua e meio ambiente”. O estudo envolve a realização de entrevistas semi-estruturadas, a observação participante, a agravação de som de voz dos sujeitos da pesquisa, assim como o registro fotográfico e de vídeo da flora nativa e do meio ambiente. Segundo o pesquisador, estes instrumentos de coleta de dados serão úteis para o levantamento do vocabulário referentes à flora local, a identificação e o uso de espécies nativas e exóticas que compreendem o conhecimento botânico tradicional. Esta pesquisa terá duração de seis meses, com previsão de início em julho de 2012.

Já no dia 15 de maio, o pesquisador biólogo da USP, Universidade de São Paulo, Rodrigo Silva obteve permissão para realizar um estudo entitulado “Mapeamento isotópico da dieta no Brasil – dos núcleos mais isolados aos grandes centros urbanos”. Para tanto, ele pretende coletar e analisar amostras de unhas provenientes de populações urbanas e de comunidades rurais brasileiras, como a Kalunga, entre 18 e 59 anos de idade. Através do resultado, será possível ter um mapeamento alimentar da dieta do brasileiro, segundo o responsável.

A última solicitação de pesquisa que obteve permissão no mês de maio é do Departamento de Enfermagem da Universidade de Brasília, solicitada pela pesquisadora Ana Beatriz Duarte Vieira e intitulada “Comunidade Kalunga: um enfoque sob a bioética de intervenção”. Segundo a pesquisadora, o estudo será responsável por realizar uma reflexão sobre o acesso à saúde e bens sociais. Este trabalho faz parte de um projeto de pesquisa de tese de doutorado e será realizado no âmbito do Programa de Pós-graduação em Bioética, mantido pela Pró-Reitoria de Pós-graduação da Universidade de Brasília e vinculado ao Núcleo de Bioética da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB e Cátedra UNESCO.

Após o término de cada pesquisa, seus responsáveis se comprometeram com a Associação Quilombo Kalunga em divulgar os resultados pertinentes a cada estudo concluído.

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